Comunicar quem você é
e ocupar espaço por inteiro
Querida leitora,
A luz amarelada como a areia da praia Mole entra pelas janelas. Escrevo da galeria Alma do tamanho de uma sala de estar na pequena cidade de Newquay: paredes brancas, piso de cimento queimado e as mulheres do Três de Copas do Tarot no outro lado do ambiente, na pintura de Chloe Bonfield, parecem celebrar minha presença. Estou aqui aos sábados, até final de Julho, numa residência artística, com meu projeto de leitura simbólica de cartas.
Estava no telefone com uma amiga e ela me disse que gosta da forma como estou me comunicando nas redes sociais. Em suas palavras, ‘Looks alive’ (parece vivo). Tenho buscado mostrar mais todos os lados de uma complexa rede de gostos, aversões, inspirações, camadas, memórias, e emoções que compõe um ser por inteiro. No meu Substack Alma by Julia, escrevo crônicas inspiradas em fatos íntimos e pessoais, revelando pedaços nunca antes expostos.
Nada disso faz parte de uma estratégia de vendas (aliás, bom lembrar, compre meu livro!). Nenhum desses textos, posts, ou compartilhamentos, viralizaram ou tem milhões de views, likes, interações. Mesmo assim, quanto mais comunico quem sou a partir de um lugar mais autêntico de um ser por inteiro, mais algo parece ser liberado em quem sou, no mundo físico, real, verdadeiro, de onde escrevo esta carta. Como um avatar do mundo artificial, as palavras soltas aqui no mundo online, parecem criar uma nova frequência no mundo físico. Isso tem me deixado impressionada, e bastante curiosa.
Conheci nesse mês um influencer inglês que viralizou e trabalhou como produtor de conteúdo em Londres. Passava 7 a 9 horas no Instagram, compartilhando um estilo gótico do Leste Europeu. Frustrava as pessoas que o conheciam, pois é um jovem alegre e curioso com a vida, ao invés do personagem gótico e depressivo inventado nos vídeos. Há mais ou menos um ano, largou tudo, bloqueou as redes sociais, voltou a ler livros, e em breve vai começar graduação em Artes Plásticas. Não quer mais, em suas palavras, ser superficial.
Está muito claro que comunicação virou mais estratégia do que arte de contar histórias, ou simplesmente expressão pessoal, brincadeira, de um lugar de ser divertido viver e ser a gente. O influencer criou um personagem insustentável na vida real. Mas o que estou percebendo: se a gente comunicar quem é sem a espera de um resultado, ou com menos filtros e mais diversão, podemos integrar quem somos na realidade. Abrimos a frequência de ocupar espaço por completo.
Escrevendo isso, lembro do final da história da Louca no meu livro (um pouquinho de spoiler): ela integra quem é a partir de todos os arquétipos conhecidos na sua aventura. E faz isso comunicando num palco.
Porque, quem a gente é mesmo talvez seja a integração de tudo, o ponto de coexistência das coisas, o momento quando a mistura das cores se faz numa pintura ou numa paleta de aquarela. Nem uma coisa, nem outra, uma explosão colorida perfeita imperfeita da vida a ser celebrada, em todos os espaços. Por isso, comunique quem você é.
E até a próxima lunação.
Julia.
No mês de Julho, temos mais um encontro de escrita Flow no estúdio Alma. Também estou com a agenda aberta de leituras de Tarot online, acompanhando a residência na galeria.



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