Read my crônicas
Querida leitora,
Ouço uma playlist lo-fi para me concentrar nas palavras, pois não sei bem como abrir essa carta. Sei que será simples, curta, direta ao ponto. Então vamos lá, do começo:
você deve saber que estou fora do Brasil já faz um tempo, e por isso já faz um tempo que vivo na rachadura entre duas línguas.
Apesar de estar finalizando um manuscrito de romance de ficção escrito inteiramente na língua portuguesa e na máquina de escrever, quero continuar praticar a escrita na língua inglesa. Não necessariamente por sentir mais afinidade: simplesmente porque estando aqui, em muitos momentos, me sinto flutuando no ar. Sim, flutuando. Não pertenço nem ao mundo literário brasileiro, nem ao britânico. Mas desde que comecei a realizar oficinas de escrita na língua inglesa em Londres, e, agora, online, essa agonia começou a passar: finalmente senti minha prática aterrisando na Inglaterra, depois de pelo menos seis anos.
Já venho flertando em escrever em inglês no Substack, tentando compartilhar um artigo aqui e ali, alguns deles do meu caderno vermelho de criação, outros traduzidos das cartas de coruja e vice-versa. Agora busco escrever textos mais pessoais, os quais chamamos no Brasil de crônicas. Para quem me acompanha a muito tempo, na linha das Crônicas de Uma Mulher Selvagem. São textos nascentes da observação do dia-dia, da intimidade, entre ficção, reflexão e autobiografia. E só para constar, na Inglaterra, o estilo crônica não existe como conhecemos. Aqui, assemelha-se à personal essay, ou column.
Não sei se terei fôlego para traduzir todos eles para estas cartas, as quais pretendo continuar enviar pelos ares com os raios prateados da lua cheia de cada mês.
Por isso, se você quiser acompanhar o processo dessa ousadia, treinar a leitura em inglês, assine meu English Substack e read my crônicas:
Julia.
Nesse mês, o tema do encontro de escrita Flow é memória. Momento desenhado para soltarmos a escrita e simplesmente escrevermos, sem a necessidade de ler em voz alta, ou a obrigação de criar obras-primas. Queremos apenas brincar e extrair material bruto. Uso Tarô e cartas oraculares como ativações imaginativas para isso. Te vejo lá?


